quinta-feira, 2 de junho de 2011

DISCURSO DO PRESIDENTE

(Discurso do jornalista Othon Ávila Amaral por ocasião de sua posse na presidência da Academia de Letras e Artes de Mesquita - ALAM - no dia 31 de maio de 2011).





Primeiramente elevo os meus pensamentos a Deus para agradecer a Ele as benfazejas dádivas que mercê de sua imensa bondade tenho sido alvo. São bênçãos que vão acontecendo de período em período. Hoje desfruto de mais uma grande: Presidente de uma Academia de Letras e Artes da qual fui um dos fundadores Entendo que para a função para a qual estou sendo investido existem em nosso meio acadêmico outros bem preparados, outros bem aquinhoados. A Deus agora e eternamente minha perene gratidão. Sou o que sou porque ao longo de três quartos de século fui por Ele conduzido. Procurei diligentemente armazenar conhecimentos através da insaciável curiosidade de ler livros e jornais, de recortar e arquivar artigos, de organizar uma Biblioteca com mais de 4000 livros, de gêneros diferentes, de conviver com os vivos e com os mortos. Por exemplo: com Gilberto Freyre e com Hélio Jaguaribe; com Nelson Werneck Sodré e com Laurentino Gomes; com Armando Nogueira e com Juca Kfoury; com José dos Reis Pereira e com Zaqueu Moreira de Oliveira.



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Minha vida não poderia ser de outra maneira. Quem ganhou de presente, no início da adolescência, uma biografia de Rui Barbosa, escrita pela até hoje sempre lida Cecília Meirelles, estava sendo guiado para uma trajetória literária. Cecilia, nome que faz lembrar de outra Cecília, aquela que foi asfixiada devido a sua fé cristã. Cecília a poetisa, Cecília a musicista. Meu primeiro livro literário foi a biografia daquele que hoje em dia é um desconhecido, escrito pela poetisa carioca que, na adolescência estudou música e canto, talvez influenciada por Cecília, aquela que foi escolhida para ser a patronnesse da música e que “morreu cantando”. O livro de Cecília Meirelles foi o primeiro dos 4000 livros já mencionado. Tinha em 1949, quando tais coisas aconteceram, 13 anos de idade!



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Dez anos depois, em setembro de 1959, relançamos, eu e Carlos Roberto Santos, o jornal semanal “A Verdade”. O veterano e querido jornalista, Franklin Silva Araujo, morando em Três Rios, fez um precioso registro sobre os editores do jornal: “A Verdade” é uma demonstração do valor de uma juventude que se vem formando no valente município serrano, ao mesmo tempo que, confirma gloriosa tradição. É que são seus diretores os jovens Othon Oswaldo Ávila Amaral, menino que foi criado em volta das máquinas de uma tipografia, e Carlos Roberto Santos, que vem confirmando as tradições de uma família de jornalistas, já numa quarta geração”. (A Região, 14/01/1960). Tinha em 1959, 23 anos!



A propósito do jornal “A Verdade”, recebi cartão datado de 11 de dezembro de 1959 do Marechal Henrique Lott, ex-Ministro da Guerra, candidato a presidente do Brasil que, por não ter sido eleito ocasionou a ditadura militar devido a renúncia do que foi eleito. Escreveu ele: “Acuso o recebimento de um exemplar do grande jornal ‘A Verdade’, de 11 de novembro de 1959, com anexos, que me sensibilizou pela sua atitude generosa e patriótica. Necessário se torna que lhe envie meus agradecimentos, extensivos ao prezado Jornalista Carlos Roberto Santos e demais membros desse conceituado Jornal, pela valiosa colaboração, em prol de nossa causa” (A Verdade, 11/11/1959). Tinha 23 anos de idade!



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Um ano antes da “Revolução de 1964”, o Brasil vivia momentos de grande agitação. Greves em todas as categorias profissionais. Agitação nas Forças Armadas. Movimentos reivindicatórios de camponeses. Na cidade onde nasci e vivi durante trinta anos uma crise entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo quase paralisou o município. Escrevi um artigo intitulado “Crise em Miniatura”. Comparei a situação de Valença com a situação do Brasil. O artigo foi transcrito para o jornal dos trabalhadores na indústria têxtil do município. (Traço de União, outubro e novembro de 1963).



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Foi também abordado por um vereador local que comentou a oportunidade do artigo e arrematou: “Felicito a Othon Avila Amaral que nesta hora grave em que se encontra o governo do município vem patrioticamente descrever com precisão o que ocorre na política nacional, defendendo a nossa política municipalista, exatamente quando ela é exercida com probidade e vontade de acertar”. (O Valenciano, de 10/11/1963). Tinha 27 anos!



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Minhas relações com a Academia Valenciana de Letras era a melhor possível. Mantinha uma coluna no “Jornal de Valença” onde destacava as notícias literárias do Brasil e de Valença. Por ocasião da IX Festa da Inteligência, uma iniciativa do Dr. Antonio Augusto de Siqueira, Presidente que deu vida á instituição, me surpreendeu. Na ocasião fui agraciado com um diploma cujo texto jornalístico e cujo jornal que o publicou distraidamente não anotei. Está registrado o que passo a ler: “Foi uma noite em que para surpresa nossa presenciamos o nosso confrade valenciano, Othon Ávila Amaral, jornalista e escritor do “Jornal de Valença”, ser chamado pela mesa presidencial para receber um Diploma pelos bons serviços prestados àquela Casa de Cultura. Efetivamente, há longo tempo, vêm esse jornal comentando através da pena brilhante desse jornalista, todas as festas e tudo o que se passa na Academia Valenciana de Letras” (8/12/1968).



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Em 1969 escrevi, por ocasião do Milésimo gol de Pelé, o artigo “A Bíblia, eu e a Ciência”. Despretensiosamente enviei o artigo para a redação d’O Jornal Batista. E qual não foi a minha surpresa de vê-lo publicado na primeira página de nosso hebdomadário. Foi o primeiro artigo que ao longo de quarenta anos iniciou uma seqüência de mais de seiscentos outros publicados. (O Jornal Batista de 19/10/1969). Tinha 33 anos! Dois anos depois, com 35 anos, tornava-me Secretário de Redação d’O Jornal Batista e na função permaneci 16 anos, até 31 de dezembro de 1988. Desde 1995 faço parte do Conselho Editorial daquele jornal.



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No dia 14 de outubro de 2000 reuniram-se alguns mesquitenses de origem ou aqui residentes para organizarem uma instituição literária. Presidiu aquele encontro o escritor Claudio de Oliveira secretariado pelo jornalista Miron Filho. Definiu-se que a Academia teria vinte cadeiras e na mesma ocasião seriam definidos os vinte patronos. Para identificá-la seria usada a sigla ALAM, que significa Academia de Letras e Artes de Mesquita. Ela nasceu graças a inspiração de Durval Meirelles Coelho com o apoio de Claudio de Oliveira.



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No dia 26 voltaram a se reunir os sonhadores daquele projeto cultural. Foi lido o estatuto preparado pela comissão que na reunião anterior havia sido escolhida: Claudio de Oliveira, Claudomiro Francisco Carneiro (Miron), Walter de Oliveira Prado, Flavia Cardim Salgado, Durval Meirelles Coelho e José Lopes Seixas.



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Por ocasião da primeira solenidade de posse já estavam definidos 13 acadêmicos, exceção das cadeiras 07, 08, 09, 11, 16, 17 e 19: Walter Prado, Leonardo Aguiar, Flávia Cardin, Nisval de Magalhães, Miron Filho, Cláudio de Oliveira, Odson Costa Ferreira, Durval Meirelles, Dalma Rodrigues e Othon Ávila Amaral. Três não estão mencionados porque perderam o estímulo e desapareceram. Também Jorge Prado é do grupo de 9 de novembro de 2000 mas não foi citado no documento que tenho em mãos.



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A primeira reunião depois de estruturada a Academia aconteceu no dia 13 de dezembro de 2000 no Salão de Festas e Eventos Stylus, localizado à Rua Júpiter, 437, esquina com a Rua Barão de Salusse, em Mesquita. Constou da pauta daquela reunião os seguintes itens: a) Instalação oficial do sodalício; b) Posse da primeira Diretoria para o biênio 2000/2002; c) posse dos acadêmicos Walter de Oliveira Prado, cadeira 1, Patrono José Jerônimo Mesquita; Nisval de Magalhães, cadeira 5, Patrono João Leopoldo Modesto Leal; Odson Costa Ferreira, cadeira 10, Patrono Machado de Assis e Dalma Rodrigues, cadeira 15, Patrono Olavo Bilac; d) Confraternização.



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A primeira diretoria foi a seguinte: Presidente, Durval Meirelles Coelho; Vice-presidente, Nisval de Magalhães; 1º Secretário, Cláudio de Oliveira; 2º Secretário, Odson Costa Ferreira; 1º Tesoureiro, Leonardo Aguiar Rocha Pinto; 2º Tesoureiro, Othon Ávila Amaral. Diretor Cultural, Walter de Oliveira Prado; Conselho Fiscal, Flávia Cardin Salgado, José Lopes Seixas e Claudomiro Francisco Carneiro.



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Caminhando para onze anos a Academia de Letras e Artes de Mesquita teve com seu primeiro Presidente o acadêmico Durval Meirelles Coelho em quatro biênios, 2001/2002; 2003/2004, 2005/2006, 2007/2008; teve como seu segundo Presidente o Dr. Alberto Ferreira Paulo no biênio 2009/2010. Nos dez anos de sua existência ela já empossou cerca de 40 acadêmicos. É verdade que alguns foram transferidos para o quadro de Sócios Correspondentes. Iremos fazer um levantamento do Quadro de Sócios Efetivos e do Quadro de Sócios Correspondentes com o propósito de conhecer os que entraram, permaneceram e abandonaram a instituição.



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Se houve uma perda de valores humanos com o abandono de alguns a Academia foi muito valorizada com a chegada de nomes expressivos. Entre os primeiros catorze já mencionados tínhamos somente uma senhora, Dalma Rodrigues, hoje temos várias e de grande envolvimento no trabalho acadêmico, Ana Lúcia Martins da Silva, Iolanda Marta Brazão Protázio, Márcia Lima dos Santos, Marlize Rodrigues, Maria Helena de Oliveira, Lidia Mendes Santana e outras. Entre os acadêmicos chegaram valores expressivos: Jerônimo Alberto de Carvalho, Jorge Rocha, Antonio Neves, Edmundo Nascimento, Glaucio Varella Cardoso, Jorge Borges e outros.



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O biênio presidencial do Dr. Alberto Ferreira Paulo foi assinalado por conferências de alto nível por oradores convidados. Membros da Academia também foram usados e ao longo dos dois últimos anos o nível dos trabalhos foi de qualidade elevada. Para alcançar o patamar mencionado a colaboração do Prof. Gláucio Varella Cardoso foi muito importante. Mesclando a cultura popular e a cultura erudita os acadêmicos da ALAM vão se firmando no contexto social peculiar da Baixada Fluminense que é diferente de outras regiões do próprio Estado. “Se a Academia nasceu sob o signo do bem e sob os eflúvios da cultura e da arte” nada impedirá que ela venha a ser a mais autêntica e lídima representante da liberdade, da justiça, da dignidade e da integridade. Se nascemos sem recursos, sem faustos, e sem eles nos mantivemos durante dez anos não será através de concessões que abdicaremos de nossos princípios. O diálogo será nosso instrumento para alcançar nossos sonhos! E os veremos realizados porque temos conosco aquele que nos prometeu: “Não te deixarei nem te desampararei” (Jos. 1:5). Muito obrigado.



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